Muitos pensam que um bailarino ir às aulas de ballet várias vezes por semana é o suficiente para alcançar o máximo de rendimento. Estudos recentes têm demonstrado que não é bem assim, o trabalho suplementar e individual é um requisito necessário para conseguir uma preparação integral.

Um estudo publicado num boletim para professores da IADMS (International Association for Dance Medicine & Science) em 2012 aponta que “o treino fora da técnica do ballet não é apenas benéfico, mas essencial para potenciar a força dos bailarinos de alta competição.

Porque é que a minha aula de ballet não é suficiente?

A aula de ballet e os ensaios centram-se na técnica, a correta posição do corpo e a forma de executar os movimentos, porém, devido ao seu ritmo lento e às interrupções para realizar as necessárias correções e facilitar a aprendizagem, tais exercícios não dão a suficiente intensidade para preparar o bailarino para o trabalho fisicamente extenuante que enfrenta no momento de subir ao palco.

Aliás, recordemos que cada aluno é um individuo com necessidades e requisitos particulares que, como tal, devem ser atacados de forma individual. Por exemplo, alguns alunos, pelas suas caraterísticas físicas, requerem mais treino de flexibilidade, outros de força muscular ou resistência. Lamentavelmente, nas aulas de grupo focadas, como devem ser, na técnica de ballet clássico, é impossível trabalhar os requisitos individuais, no entanto, estas deficiências podem fortalecer-se fora das salas de aula de ballet.

Que tipo de treino extra pode fazer?

Desde há muitos anos, os profissionais de medicina dedicados a dar assistência aos bailarinos, realizaram diversos estudos para provar a eficiência dos diversos tipos de treino, que vão mais além da técnica de ballet clássico, quer para melhorar a atuação em palco, quer para prevenir lesões.

Por exemplo, um estudo de 2014 com 15 alunos de dança da Universidade de Wolverhampton no Reino Unido demonstrou que a prática de Pilates incrementa a flexibilidade e a força muscular necessária para utilizar a flexibilidade de forma eficaz. Os exercícios com ligas ou com pesos, para a parte superior do corpo, ajudam ao trabalho de pas de deux e para a parte inferior do corpo ajudam à estabilidade nas rotações durante o treino, assim como correr facilita a elevação nos saltos, tal como qualquer outro tipo de treino aeróbico extra que ajudará a aumentar os níveis de resistência.

Da mesma forma, demonstrou-se que um bailarino que trabalhe de forma extra a sua força muscular tem um menor risco de lesões e outro bailarino sem tonificação muscular leva o dobro do tempo de recuperação de qualquer acidente. Ao mesmo tempo, desmistificou-se o mito de que o físico do bailarino poderia perder a sua estética esbelta e alongada se incorrer na prática frequente de exercícios adicionais diferentes do ballet.

Não obstante, todos os profissionais dedicados a esta área coincidem em que todo o treino extra deve ser desenhado especificamente de acordo com as necessidades do aluno. Pode estar focado em melhorar uma determinada área corporal ou mesmo para alcançar o maior êxito possível numa variação ou pas de deux em particular.

“As sessões de treino precisam de ser agendadas ao final do dia para prevenir que a fadiga interfira com os elementos técnicos do ballet. A seleção dos exercícios pode ser desenhada de acordo com as necessidades coreográficas, se estas são conhecidas antecipadamente”, recomenda a Drª. Manuela Angioi do Centro de Medicina Desportiva da Universidade de Queen Mary em Londres.

O professor é parte fundamental do design deste treino extra para os seus alunos. Pode planificar um rotina simples focada em algum ponto a melhorar para que o aluno o realize no seu tempo livre ou, se o aluno recorre a um profissional para o seu treino adicional, este deve seguir as diretrizes indicadas pelo professor, que é quem conhece as necessidade do trabalho extra de cada aluno.

Em algo coincidem todos os entendidos: o trabalho não se pode fazer sem supervisão previa, portanto, nada de se procurar rotinas na internet e fazê-las sem antes perguntar ao seu professor ou treinador, tendo que estar especificamente destinadas a bailarinos. Nem é recomendável realizar mas que um tipo de treino extra de cada vez, pois tem que se focar em melhorar um parte e, uma vez alcançado o objetivo, passar ao seguinte.

Pessoalmente, sempre dou indicações ao meus alunos para que trabalhem no seu tempo livre, na maioria dos casos são exercícios adicionais. Igualmente, sempre estou disponível a trabalhar com profissionais de treino pessoal no design de atividades para os meus alunos. Porém, a preparação física, e o interesse nesta, é algo que depende inteiramente do aluno, este é que deve entender se deseja melhorá-la mais rapidamente e de forma mais eficaz, devendo comprometer-se com uma rotina de exercícios de vá mais além do que acontece numa sala de aula.

Artigo de Patrícia Fiorucci


DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here