Nestes dias, em que ficar em casa é uma obrigação, muitos dos meus alunos contataram-me para lhes dar uma rotina de exercícios que possam fazer em casa, livres de riscos, para manter o corpo em forma, seja qual for o seu nível técnico. Embora, para aqueles que me perguntaram, eu tenha fornecido rotinas personalizadas, e até supervisionado graças à tecnologia, existe uma técnica razoavelmente segura para todos os alunos devido ao seu baixo risco, de modo que, quando for a nossa vez de voltar ao estúdio, o façamos com o corpo na mesma condição em que saímos: a barra de chão.

Num artigo anterior, falei sobre a importância de fazer uma aula diária completa como a única maneira de manter e melhorar a técnica, e esta rotina permite-nos continuar a fazê-la, mesmo que não possamos sair de casa. A barra de chão nada mais é do que a estrutura básica de uma aula de ballet, enquanto estamos deitados no chão, o que reduz muito os riscos que, normalmente, são tomados quando um aluno treina sozinho, sem supervisão, orientação ou infraestrutura adequada, porque tira da equação o esforço de ficar de pé e os saltos.

Esta técnica é reconhecida por ser (quando feita com intenção e concentração) ainda mais exigente do que uma aula tradicional, porque o seu ritmo permite-nos estar focados na execução correta de cada movimento e também, uma forma muito eficaz de melhorar a técnica quando o bailarino não puder comparecer à aula diária, pois foi projetada para ser realizada a qualquer momento e em qualquer local, não requerendo qualquer infraestrutura especial ou equipamento adicional.

Alguns atribuem à bailarina italiana Zena Rommett a criação deste método no New York City Ballet em 1960, quando um dia disse aos alunos para iniciarem a barra: “deitem-se apenas e comecem novamente”; e, a partir daí, criou todo um novo sistema que é reconhecido em todo o mundo. Outros asseguram que foi o bailarino e professor russo Boris Knyazev que na sua escola em Paris, nos anos 50, estabeleceu a obrigatoriedade dos chamados “exercícios de chão” ou barra de chão.

O principal benefício desta técnica para o corpo é que causa menos desgaste na articulação do quadril porque, quando está em pé, o bailarino força o “turnout” usando o seu peso e gravidade, elementos que desaparecem quando se faz exercícios no chão.

Também melhora a postura, flexibilidade, controlo muscular e concentração.

Existem muitos tutoriais de “barra de chão” nas redes sociais. Qualquer que seja a sua escolha, lembre-se de que, como em qualquer outra aula de ballet, deve aquecer primeiro porque a barra, de pé ou no chão, não substitui essa etapa. Também recomendo para os alunos que nunca fizeram esse tipo de exercício, que, nas primeiras vezes, o pratiquem com os pés a 15 cm de uma parede; dessa forma, o aluno com menos experiência garante que o seu corpo fique reto, bem posicionado e evitará contrações musculares ou dores nas costas devido à má postura.

Da mesma forma, é sempre bom para começar, não escolher uma rotina demasiado ambiciosa, mas aumentar os níveis de dificuldade diariamente e, preferencialmente, optar por uma rotina que inclua exercícios com as posições viradas para cima, para baixo e para os lados.

Lembre-se também de que este tipo de rotina não é apenas recomendado para bailarinos, mas também para quem deseja aumentar a tonificação ​​muscular e a elasticidade. Assim, se estiver em casa, esta técnica é uma boa opção para todos.

Deixo abaixo 3 links como sugestão:

Artigo de Maestra Patrícia Fiorucci

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